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Conteúdo Extra: Ladrões de Sonhos

Segue abaixo, uma lista de pequenas cenas que a autora Maggie Stiefvater retirou da versão oficial e finalizada do segundo livro d’A Saga dos Corvos: Ladrões de Sonhos. Nenhuma dessas cenas foi traduzida pela editora oficial brasileira (Verus), portanto a tradução realizada não é oficial e pode conter spoilers. 


Linhas de enredo abandonadas

1)

Essa enfermeira domiciliar, uma mulher alta e caprichosa, por volta dos seus sessenta anos, era um contrato bastante recente e fonte de discussão entre os irmãos. Ronan odiava todas as enfermeiras domiciliares. Invariavelmente, quando davam um relatório para os irmãos Lynch, Ronan perdia a cabeça e demitia a todas. Essa enfermeira, em particular, vinha de uma distância de uma hora e lhe era pago hora extra por isso. Ela não havia estado tempo o suficiente para oferecer aos garotos um relatório mensal, portando ainda não fora demitida.

Ronan observava a enfermeira cuidando gentilmente de sua mãe: lavando seu rosto sem expressão, movimentando seus braços sem movimento, conferindo o tubo de alimentação em seu peito, aparando suas unhas. A enfermeira era muito cuidadosa durante todo o processo, tão cuidadosa como se sua mãe realmente estivesse acordada, e Ronan, apesar de ser Ronan, não a odiava. No entanto, parecia impossível que sua mãe toleraria tudo isso sem se alarmar na cadeira. Depois de todo esse tempo, essa ainda não era a versão de sua mãe que ele sonhava.

A enfermeira retirou o cabelo da face de Aurora.

“Eu sei que você está aí,” ela disse maliciosamente. Virou e olhou diretamente nos olhos de Ronan. “Qual deles é você?”

2)

Eles seguiram a ferrovia para fora da cidade por oito quilômetros. Oito quilômetros não era muita coisa, mas quando se tratava de Henrietta, essa distância te levava para o meio do nada. A saída que Ronan pegou era cercada por árvores grandes e imersa em uma escuridão profunda. Então, de repente, se abriu para um área de cascalho lotada de carros da Aglionby. Atrás de todos eles estava um depósito, não muito diferente da Monmouth Manufacturing. Gansey já conseguia sentir a música através da BMW. Quando ele saiu do carro, o ar cheirava a madressilva, exaustão, campos revirados e fumaça.

“Eu não sabia que algo assim existia em Henrietta,” Gansey disse. Ele tinha uma ideia razoavelmente boa de como a festa se pareceria do lado de dentro das grandes portas do armazém, e ele se sentiu profundamente incerto.

“Não,” Ronan respondeu, “Você não saberia. E você está me envergonhando.” A última parte foi para Adam. Com uma mão ele bateu na bochecha de Adam, e com a outra afrouxou o nó em sua gravata. Adam sorriu levemente.

“De novo, qual é o plano?” Adam perguntou.

Ronan riu; era um grunhido de chacais.

“Não,” ele avisou, se virando para a porta, “me envergonhe.”

3)

Gansey não era estúpido o suficiente para responder. Ele conhecia uma conclusão quando a ouvia.

“Então, eu mandei outra coisa para mudar seus pensamentos. Um segundo, babe, espere.” Isso foi dito para alguém que estava no seu lado da linha telefônica.

Minuciosamente, Gansey disse, “Essa é uma forma estranha para falar com o seu gato.” Alguma coisa ameaçadora estava se forçando para a conversa.

Kavinsky riu. “Oh, certo, eu esqueci que você também pode ser engraçado de vez em quando. Ei cara, eu gosto disso. De verdade. Mas, olhe, vá para o andar de baixo e pegue o que está embaixo do seu tapete de entrada. Pode me chamar de paranóico, mas por alguma razão de merda eu não confio nos correios. Então eu entreguei pessoalmente.”

Sem perder tempo, Ronan foi para o andar de baixo, seu rosto estava crítico. Os sentimentos de antecipação e ameaça ainda cresciam dentro de Gansey,  como nuvens nocivas.

Ronan reapareceu ao seu lado. Ele segurava um envelope fino, do tipo que contém cartões de felicitações. Agora Gansey encarava Ronan, fazendo uma pergunta com o olhar. Em resposta, Ronan sacudiu o envelope e o escutou.

“Que merda,” Kavinsky disse. “Abra de uma vez. Não é uma bomba.”

“Apenas conferindo,” Gansey respondeu, “as pessoas entregam Carbúnculo (arma química) pessoalmente com certa frequência.”

“Carbúnculo é tão anos noventa cara.”

Gansey, com o telefone preso em seu ombro, pegou o envelope de Ronan. Não estava selado; a parte de cima mal estava colocada por dentro da abertura. Dentro havia um cartão de felicitações. Com letra cursiva acima de dois filhotes de Lhaso Apso dizia: É seu aniversário!

Gansey abriu o cartão. Havia um maço de fotografias de cabeça para baixo dentro. No outro lado da página se lia: E é o meu também! Feliz aniversário, gêmeo! Gansey balançou o cartão para que as fotografias ficassem do lado certo.

Ele congelou.

A voz de Kavinsky, animada, fez-se ouvir do outro lado da linha. “Você abriu? Esse barulho é de você abrindo? Você está olhando para ele agora?”

O coração de Gansey bateu como uma explosão por uma vez, e duas, e então ele fechou o cartão com força. Ele colocou o cartão de volta no envelope e jogou longe. O envelope escorreu e se prendeu entre as tábuas do chão.

“Oh, você está olhando,” Kavinsky disse. “Eu ouvi que você está.”

Uma das mãos de Gansey formou um punho lentamente. Noah e Ronan encararam o envelope, mas nenhum deles se moveu para pegá-lo.

“Então, esse é o acordo,” Kavinsky continuou. “Ninguém quer ver essa droga por aí. Mas se você chamar a polícia, essas fotos vão parar nos jornais. Escutei que a mamãe está concorrendo para o Congresso. Isso seria estranho, Dick.”

“Ninguém irá acreditar que são reais,” Gansey disse.

Agora Kavinsky ria, genuinamente e por um bom tempo. “Todo mundo irá acreditar. Você não acha que todo mundo quer nos odiar? Essas fotos são o que as pessoas esperam ver.”

 

Cenas que se estenderam por tempo demais.

1)

Gansey continuou, “Nós não queríamos colocar no carro de ninguém. Mas temos que nos livrar disso, e não é algo que você pode simplesmente colocar junto com o lixo.”

Isso era meramente uma expressão. Não havia serviço para buscar lixo na Monmouth Manufacturing. Geralmente os garotos esperavam até a situação com o lixo estar catastrófica, e então, em turnos, levavam para o depósito de lixo. Bom, Gansey provavelmente levava pra o depósito em suas semanas. Ronan, normalmente, fazia pequenos rasgos nos sacos e então jogava no jardim de Kavinsky ou fazia rasgos nos sacos e jogava o conteúdo no topo da Mitsubishi de Kavinsky ou, ainda, para variar, rasgava os sacos e então jogava nos carros dos colegas que moravam com Kavinsky.

2)

“Certo,” disse Gansey, com um olhar galante de mártir. Ele fazia isso melhor do que qualquer um. “Alguém sabe onde está o Adam, de qualquer forma? No trabalho?”

Ele destacou essa última palavra de forma diferente das outras, como se esperasse que Blue notasse que Gansey sabia que algumas pessoas trabalhavam. O efeito se perdeu em Blue, ela estava dedicando quase toda sua atenção em arrumar seu cabelo cheio de suor, tanto que perdeu a pergunta original e a sábia compreensão de Gansey sobre a economia de Henrietta.

 

Versões das dinâmicas entre os personagens – que são meio óbvias e sem muitas camadas.

1)

Algo mudou no rosto de Ronan, embora fosse difícil dizer, com precisão, o que era. Era como girar um vaso apenas o suficiente para revelar que sua boca não era totalmente arredondada.

“Eu acredito em algo impossível para você todo dia,” ele rosnou. Seus olhos desviaram rapidamente para Adam e então voltaram, enfatizando, de alguma forma, o quão desigual o triângulo se posicionava agora: Adam e Gansey, e então, mais longe, Ronan, sozinho. “E eu não minto. Você sabe quem mente? Parrish.”

E lá estava novamente – agora Gansey conseguia ver magoa na expressão de Ronan. Algo cru, encoberto rapidamente com a maior quantidade de descuido e crueldade que ele conseguisse juntar no momento. Ao lado de Gansey, Adam se arrepiou sem falar nada.

Ronan disse, “Oh, certo. Parrish pode fazer qualquer coisa e você irá perdoar ele.”

Ao mesmo tempo em que Adam falou, “Ei cara -” Gansey disse, “Ele nunca apostou meu carro.”

Ronan zombou. “Falta de imaginação.”

A voz de Adam estava devagar e mordaz, controlada em uma forma que a voz de Ronan não estava. “Eu acho, Lynch, que você é a única pessoa viva que é mais estúpida quando está sóbrio. O que é bom, porque você e-”

A compreensão acertou Gansey em cheio. Ele interrompeu, “Espera, espera. Isso é sobre… eu levar Adam ao invés de você? Sério? Não. Sério?”

Com uma expressão de depreciação, Ronan perguntou, “Eles gostaram do seu filhotinho? Você fez ele dançar para eles?”

Aí estava, feia e nua. Não era permitido, no código de Gansey, chamar um garoto ou outro de seu amigo mais próximo. Na verdade, ele oscilava entre eles, um o empurrando para longe, o outro se agarrando, e então tudo de novo. Ambos eram seus melhores amigos, apenas nunca ao mesmo tempo.

Adam disse absolutamente nada, seus lábios estavam levemente separados, sua cabeça inclinada. Algo havia ficado duro e reluzente em seus olhos, imobilizado pelo veneno de Ronan.

Gansey reconheceu uma ferida mortal. “Tudo bem -”

“Não,” Adam disse, “Não está tudo bem. Você tem um problema comigo, Lynch? Você acha que eu não consigo fazer isso sozinho?”

“Oh, por favor.” a recusa de Ronan era uma arma por si só.

“Fale. Vá em frente. Diga o que está pensando.”

“Me poupe de sua insegurança. Isso não é sobre você.”

A voz de Adam estava cheia de raiva. “Eu sei exatamente o que você está pensando.”

“Você está pensando que eu não me importo que você seja um caipira de merda? Porque se está, bom trabalho,” Ronan descarregou. “Ninguém mais se importa. Eu estaria mais preocupado em ser o cão de truques do Gansey.”

Chega.” Gansey deu um passo para frente. Ele foi para a frente de um modo que os dois garotos instantaneamente olharam para ele, imediatamente em silêncio. “Chega, Ronan! Deus, chega. Deixe Adam fora disso. Isso é entre eu e – quer saber, na verdade –  eu não sou o que está em julgamento também.”

“Claro que não, cara,” rosnou Ronan. Se houvesse algo em seu alcance que ele pudesse ter quebrado, ele teria. Desse modo, seus punhos estremeceram com uma fúria mal contida. “Você está acima da lei. Você é a lei.”

Gansey fez o seu melhor para tentar se lembrar de todos os momentos em que Ronan havia sido gentil, leal, engraçado. Esses momentos escaparam dele, um por um. “Por que você não pode ser como antes?”

Motosserra voou do chão para o ombro de Ronan. As grandes garras do corvo se prenderam no garoto com gentileza o suficiente para não rasgar sua pele. Ela inclinou o bico para o teto, penas contraídas.

Lentamente, os punhos de Ronan afrouxaram.

Ronan respondeu, “Eu não sei.”

Versões alternativas de cenas que existem no final.

1)

As dez da manhã, Gansey, Ronan e Noah (que reagiu sem nenhuma surpresa ao homem pássaro) decidiram fazer algo sobre o cadáver. O tempo e a morte não melhoraram sua aparência, nem um pouco. O sangue coagulado parecia insuperável, e o cheiro havia criado, praticamente, vida própria. Gansey e Ronan haviam feito um esforço significante tentando colocar o corpo em um saco de lixo antes de perceberem que o saco não era grande o suficiente para acomodar a criatura, e que o trabalho de se livrar do corpo era muito estressante sem mostrar para um terceiro e ouvir se esse concordaria que era um trabalho desagradável.

Então, as onze horas, eles colocaram a coisa no porta-malas da BMW (“é o seu monstro, Ronan, eu não vou colocar isso no Suburban,” Gansey disse. “É o… pagamento?”) e então ligaram para a Rua Fox 300 procurando por Blue.

E era quase meio-dia quando Gansey, Ronan e Noah encontraram a casa de Jesse Dittley. Embora o GPS no celular de Gansey tivesse dificuldade em localizar o lugar, eles tiveram que realizar duas voltas extras, já que Ronan havia passado o portão de acesso – dirigindo a 117km/h na primeira vez e 107km/h na segunda.

A morte do homem pássaro havia causado um efeito peculiar em Ronan. Primeiro, ele nunca havia matado um deles. Em seus sonhos, eles eram inacessíveis e numerosos. Ver um deles morto parecia provar que o mundo poderia mudar para melhor, apesar de todas evidências apontarem para o contrário. E segundo, na medida em que as provas se mostravam, o homem pássaro era superior até mesmo à caixa quebra-cabeça que Ronan havia trazido dos sonhos na mesma época.

Então Gansey sabia. Não havia volta. Estava finalmente ali.

Sem volta.

Ronan estava eufórico.

Quando eles entraram pelo portão, Ronan puxou o freio de mão para que eles pudessem ficar alguns momentos observando. Era silencioso a primeira vista. A casa era do tipo comum para montanhas: escura, com madeira assimétrica, alpendre, janelas quebradas no segundo andar. Elas sempre pareciam como se tivessem crescido nas montas e então morrido para dentro delas novamente. Quando Gansey veio para Henrietta pela primeira vez, ele passou muito tempo dizendo coisas do tipo, “Mas espera – as pessoas realmente vivem naquela ali?”

Normalmente, casas como esta estavam cercadas por um fosso de detritos artificiais e parecia que com esta casa não havia sido diferente até recentemente. Ainda havia quadrados fantasmagóricos na grama onde as coisas haviam estado. Mas foi aí que a normalidade fugiu. Mais de uma dúzia de pneus haviam sido reutilizado para cultivar flores. Mais flores cercavam uma árvore de metal estranhamente bonita que era feita de, o que se concluiu em uma análise mais próxima, pedaços de antigas espreguiçadeiras e antenas de televisões. Atrás de tudo isso havia um caminhão de coleta de lixo, empilhado com décadas de lixo.

Se eles tinham qualquer dúvida que aquela era a casa certa, elas haviam desaparecido. Blue Sargent, definitivamente, havia estado ali.

Cenas que estragavam o desenrolar da história.

1)

Na segunda-feira, Kavinsky enviou o botão de mudança de engrenagem do Pig para a Monmouth Manufacturing.

“Eu não sabia que Kavinsky conhecia os nuances do serviço de correio dos Estados Unidos,” Gansey disse. Kavinsky havia embrulhado a engrenagem em uma colagem feita de um comercial de perfume arrancado de uma revista, a cabeça de Gansey e Ronan retiradas do jornal de Aglionby, e algumas outras imagens que haviam sido impressas da internet ou descobertas em uma publicação de quarto de fundo. Um recado acompanhava tudo: não me deixem esperando.

Noa disse, “Você percebeu? Há alguma coisa no lado da -”

“Obrigado, Noah,” Gansey disse, movendo seus dedos e largando a engrenagem na caixa. Ele limpou seus dedos nas calças, estremecendo. Gansey parou e olhou para o chão. Por um breve momento, ele se deixou endurecer a mandíbula. Ele não olhou para Ronan, que estava parado na porta com Motosserra sentada ao seus pés. Finalmente, Gansey recuperou sua expressão e pegou o celular.

“Dick,” Logo na primeira palavra, Gansey ouviu o sorriso presunçoso na voz de Kavinsky. “Deus, você é rápido. Mas aposto que já havia escutado isso antes.”

2)

Agachados, os garotos olharam para a linha da árvore. Era surpreendentemente preta em contraste com o azul profundo do céu;  uma estrela ou Vênus brilhou através de um buraco. Conforme eles observavam, um pedaço de preto acentuado se soltou da escuridão das árvores.  Linhas esfarrapadas e sujas se cruzavam no céu acima da Barns.

Os olhos de Ronan acompanharam o progresso do horror silencioso da noite. Em uma voz baixa, ele disse,  “volat nullos strepitus facientibus.”

“Merda,” Adam sussurrou de volta, furiosamente. “Citação de Ovídio?” (poeta romano)

3)

Estando sóbrio, Ronan demorou muito tempo para adormecer, e quando ele conseguiu, sua mente era uma piscina negra, calma e sem fundo.

Em seus sonhos, eles vinham para ele, seus terrores noturnos, com suas garras e bicos. No sonho, ele não corria e então eles rasgavam e partiam sua pele.

Ronan era uma piscina negra, calma e sem fundo.

Ele acordou em uma bagunça de seu próprio sangue, seus braços arranhados e abertos. Essa era a lembrança da noite: pele cortada e uma batida de coração falhando.

Noah apareceu na sua frente. Seus olhos estavam arregalados e pretos.

“Eu vou buscar o Gansey,” ele disse.

Gansey e o Pig chegaram antes da ambulância por apenas um segundo. Ronan não sabia como Noah havia conseguido recuperá-lo tão rapidamente. Ele mal estava consciente quando Gansey saltou do Camaro, gloriosamente desgrenhado, sua camisa desabotoada até a clavícula.

“Ronan,” ele havia dito, com a voz trágica, já colocando a culpa em si mesmo, fazendo com que fosse sobre eles e não sobre Ronan, “Seu idiota.

4)

Ronan foi jogado em um sonho. Era um sonho que ele já havia tido muitas vezes. Ele parou na ponta de uma piscina verde envenenada, cercada por árvores de chá (black-barked). A água estava grossa e oleosa, escamosa por causa das algas. Do outro lado da piscina estava algo que ele queria desesperadamente, embora ele nunca tenha chegado do outro lado para descobrir o que era. Como sempre, havia pedras lisas e escuras salientadas na água, com apenas um metro de distância entre elas. As pedras levavam até o outro lado da piscina, uma ponte levadiça tentadora. Ele não podia ver cobras, mas a palavra serpente não o abandonava.

E desde sempre esse era o sonho que ele sempre teve, significava que Secret estaria ali.

“Você pode conseguir,” ela disse. Secret parou na beira da água com uma longa vara forjada em sua mão. Ela mergulhou esta no líquido e puxou de volta. Estava coberto de verde. Ele estava desconfortável com ela parada tão perto.

“Por favor não,” ele disse. Ele não tinha certeza que aquela primeira pedra era realmente uma pedra. Ele pensou que poderia ser a espinha submersa de um animal.

Ela pairou com sua mão acima da água e olhou de volta para ele, maliciosa e sorrindo, a única coisa que brilhava nessa floresta escura.

“Por favor,” ele disse, colocando uma mão no ombro dela. Era quente e ossudo em sua palma. “Não.”

“Do que você tem medo?” Secret perguntou. “É apenas veneno.”

5)

De volta na noite de Henrietta, o celular de Ronan Lynch começou a tocar. Era um toque tênue e fraco; o som sem esperança de um telefone que estava acostumado a ser negligenciado. Ele compartilhava uma escrivaninha com uma coleção de pedaços de contra placado parcialmente queimados, uma pena dourada, um alto falante do tamanho da palma do garoto, quatorze fósforos usados, uma garrafa cheia com um terço de cerveja preta de uma marca não tão respeitável e um jovem corvo. O último bateu no celular, mandando esse girando loucamente pela mesa. O nome na tela era o de Declan Lynch.

Ronan deixou seu telefone tocar. Não iria atendê-lo de qualquer forma, mas não iria atender, especialmente, com aquele nome na tela.

Seu celular vibrou. Caixa de mensagens.

Começou a tocar de novo.

Declan Lynch.

Era porque ele sabia que Gansey estava fora da cidade. Gansey havia falado para Declan que se ele quisesse entrar em contato com Ronan, ele tinha que ligar primeiro para Gansey ou Adam. Era o modo que Ronan preferia. Mas agora que Gansey não estava ali para reforçar isso…

Apenas me deixe em paz.

Só de ver o nome de Declan na chamada fazia o peito de Ronan apertar. Ele espetou a palma de sua mão com a parte reta de um clipe de papel, forçando contra a pela e conferindo a parte final do metal por cor. Motosserra gralhou em seu ouvido e bicou de um ombro de Ronan até o outro.

O tempo o esmagou, cada minuto intensificado e enorme.

Declan Lynch.

Ele sentia falta de Barns, sentia falta do seu pai, sentia falta de estar feliz sem saber que era. Ele sentia falta de brincadeiras simples que todos sabiam como jogar, de desejos simples que ele podia compartilhar com qualquer um e de um corpo simples que ele compreendesse. Ele sentia saudade, mais do que qualquer coisa, de um dia tão típico que parecia ser um dia único: a chuva molhando os campos verdes da Barns, música tocando no rádio, almoçar parado na cozinha desordenada, uma briga sociável com Matthew, um fim da tarde sentado no equipamento próximo a um carro enquanto a chuva caí e esguicha e as história que saiam de seu pai.

Vibração. Caixa de mensagens.

A palavra era nunca. A frase era: nunca mais.

Ele deveria ter ido com Gansey.

Apenas mais trinta e seis horas até eles voltarem.

Se ele entrasse em sua BMW, ele poderia chegar na mansão de Gansey em duas horas.

Você pode fazer isso.

Declan Lynch

Os dedos de Ronan agarraram o telefone. Jogando a cadeira para trás, mandando Motosserra para longe, ele ficou de pé.

Ele largou o celular no chão. Fez um som inconclusivo, mas a tela ainda brilhou para ele. Ele odiou. Ronan pisou na superfície do celular. Quando ainda parecia o mesmo, ele agarrou a cadeira e esmagou uma das pernas na tela. Se transformou em uma teia de aranha. Quebrou. Finalmente, pedaços caíram.

Ronan não se sentiu melhor. Ele pegou as chaves de sua BMW. Iria ir para algum lugar.

Kerah,” gralhou Motosserra. Isso significava Ronan.

Os olhos de Ronan encontraram seus brilhosos olhos pretos. Ele disse, “Socorro.”

Isso significava socorro.


Fonte: Maggie Tumblr
Tradução e Adaptação: The Raven Cycle Brasil, não reproduza sem os devidos créditos – plágio é crime.

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