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Conteúdo Extra: um feriado com Gansey*

pode conter spoilers

Essa história, escrita por Maggie Stiefvater e traduzida – não oficialmente – pela equipe do TRCBR, se passa em dezembro antes do início de Os Garotos Corvos.


Não devia haver coral natalino, mas havia.

Não era como se Henrietta não fosse o tipo de lugar que produzisse músicas natalinas para a véspera de Natal. Era uma dessas cidades pequenas da Virgínia que mostrava o espírito natalino entregando comida para idosos, decorando os caminhões de bombeiros para os menores de idade e enchendo cada local público com a programação para a temporada. Por um mês, a cidade se tornava festiva com enfeites baratos, em forma de estrelas, pendurados nas placas da rua. “Jingle Bells” tocava, no volume máximo, em auto-falantes da farmácia. Grupos da Igreja ofereciam gemada em cada esquina. Ninguém precisava se inscrever em uma performance de Natal. Henrietta era a performance; todos estavam voluntariados a participar simplesmente por respirarem.

Músicas natalinas se encaixam perfeitamente nessa visão geral do mundo.

Para Gansey, não parecia que um coral natalino devia estar aqui, parando no estacionamento coberto da Monmouth Manufacturing, e não parecia que eles deviam soar do jeito que soavam. Apesar de seu Camaro laranja estar estacionado abaixo da janela em que estava parado, a velha fábrica não parece ser habitada. E os lugares em Henrietta deviam estar vestidas em suéteres de Natal e chapéus de Papai Noel. A van que os trouxe deveria estar estacionada por perto. Eles deviam estar cantando “O Come All Ye Faithful” ou “Santa Claus is Coming to Town.”

Mas não era assim. Essas músicas tocavam diligentemente ao lado da porta, certamente havia alguém dentro para ouvi-las. O grupo usavam chapéus estranhos e elaborados, que aumentavam sua altura em vários centímetros: ali uma pirâmide esquisita feita de canudos, ali uma máscara de argila com chifres acima, ali penas coladas em um crânio amarelado de veado. Sinos amarrados em suas pernas, fazendo barulho a cada passo. Um violino e um tambor criaram um som estridente.

Gansey parou no topo das escadas e abriu a janela. O vidro já estava rachado, e a janela estalou quando a rachadura se expandiu. No entanto, não quebrou. A vidraça provavelmente aguentaria outro ano; havia tempo para arrumá-la. Ar gelado e uma vaga música entraram em Monmouth, tudo perfumado com os odores comuns de asfalto úmido e dos hambúrgueres baratos de algumas quadras de distância. Então, o vento aumentou e trouxe o cheiro de fumaça de madeira, folhas mortas de carvalho e musgo úmido. Esse era o cheiro das montanhas que haviam o trazido para cá.

Havia um meio pensamento em sua cabeça, de que o coral natalino não era real.

A coisa é: sempre parece que há corais natalinos.

Ele havia passado os últimos sete Natais em sete lugares diferentes, e havia se tornado uma piada particular. Alguns anos era mais óbvio: o coral batendo na porta da casa de Malory ou tocando do lado de fora da janela de um apartamento alemão. Outros anos, ele os ouvia e virava apenas em tempo de ver a borda de um violino ou de um chifre de tecido desaparecer nas esquinas das ruas da América do Sul. Ano passado o coral havia ido para a casa de seus pais, em D.C, enquanto enquanto ele estava lá, para o prazer deles. Os Gansey amavam qualquer coisa que pudesse, remotamente, ser chamada de sabor regional.

Era difícil dizer de que região esses corais haviam vindo. Não aqui.

“Oh,” disse Noah, parando ao lado de Gansey.

Gansey pulou. “Jesus. Eu não sabia que você havia voltado.”

“Eu estava aqui o tempo todo,” Noah disse.

“Certo.” Ambos garotos os assistiram tocar. Uma das pessoas do coral havia começado a cantar. O som não era exatamente adorável. Era uma mistura desconfortável de uma música de bêbado e uma marcha fúnebre. A pele de Gansey formigava agradavelmente.

“O que você acha que eles querem?” Noah perguntou.

Era uma pergunta peculiar, Gansey pensou. Ninguém perguntava o que os bombeiros, que decoravam seus caminhões,queriam. Ele tremeu; estava mais frio do lado de fora do que havia pensado quando abriu a janela. Talvez quisessem dinheiro. Era para você dar gorjeta para os corais natalinos? Ou – qual era o nome real do que essas pessoas eram? Ele sabia; ele havia os visto no País de Gales. Algo difícil de ser falado. Não. Gansey olhou para baixo e pergunto para eles: “Qual é o nome dessa música?”

A cantoria não se encerrou, mas o crânio de veado olhou para eles na janela, penas rodando em azul e preto em torno do osso.

“Assustador,” Noah disse.

“Sabor regional,” Gansey disse.

” ‘O Rei Corvo’, ” disse o crânio de veado. Talvez fosse o próprio crânio de veado. Era difícil de dizer já que todos usavam máscaras. Qualquer um poderia ter dito. Todos eles poderiam ter dito

O coração de Gansey pulou um batida de animação. Meses antes, ele havia chegado em Henrietta por pistas em sua busca por Glendower, e lentamente, havia ficado sem material para o manter ali. Fazia semanas que ele teve a menor sugestão que estava no caminho certo. Se fosse em qualquer outro lugar, ele já havia ido embora, ido para perseguir alguma outra pista em outro estado, país ou hemisfério.

Mas ele não queria deixar Henrietta.

“Você disse Rei Corvo?” Gansey falou da janela. “Espere — Noah, diga para eles esperarem, vou pegar meu diário e falar com eles. Eu acho —”

Uma batida terrível o interrompeu: o som da suspensão de um carro esportivo sob pressão. Uma BMW cinza entrou no estacionamento coberto em uma velocidade considerável. O coral natalino parou conforme o carro estacionou ao lado do Camaro, a porta do motorista abriu abruptamente. Todos os outros odores foram substituídos pelo cheiro de freios e embreagens após uma tortura; a BMW tinha sido dirigida sem cuidado e estava molhada.

Ronan saiu do carro. Até mesmo do segundo andar, Gansey ainda podia ver as cicatrizes castanhas que ocupavam de cima a baixo seus antebraços.

Gansey estava cansado de saber que ele precisava fazer algo sobre Ronan Lynch antes que Ronan fizesse algo sobre Ronan Lynch. Natal era uma época perigosa para ser alguém quebrado; o peso da tradição e história poderia, facilmente, afogar um nadador apático.

No estacionamento abaixo, Ronan olhou para o coral. “Andem, seu bando de esquisitos. Não fiquem só me encarando. Parece que estou brincando?”

Não havia jeito nenhum de Gansey chegar no coral antes de Ronan os assustar; não muitos poderiam resistir a Ronan quando ele escolhia parecer maléfico. Gansey ficou satisfeito em pegar seu celular e tirar uma fotografia do estranho configuração de suas formas. Ele iria mostrar para Adam depois. Coincidência, Adam iria dizer, sabendo muito bem que Gansey não acreditava em coincidências.

“Eles me assustam,” Noah disse.

“Eu gosto deles,” Gansey respondeu. Ele gostava de estar assustado. O arrepiar dos cabelos em seus braços, a bola de antecipação em sua garganta. Ele gostava de sentir que magia estava chegando a ele, ao invés de ser ao contrário. A porta do andar de baixo bateu com força quando Ronan entrou no local. “Não suba, Lynch. Nós vamos sair.”

“Para fazer o que?”

“O que mais nós fazemos?” Gansey respondeu. “Para encontrar um rei.”


Fonte: Maggie Tumblr
Tradução e Adaptação: The Raven Cycle Brasil, não reproduza sem os devidos créditos – plágio é crime.

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