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[LIVROS] Maggie fala sobre sua escrita, All the Crooked Saints e dá dicas para aspirantes a escritores.
10.Nov

Maggie Stiefvater concedeu uma entrevista para o The Stanford Daily na qual fala sobre seu processo de escrita e seu novo livro All the Crooked Saints. A autora também dá conselhos para autores aspirantes e sobre como lidar com a fase da adolescência. Confira a entrevista traduzida abaixo:



The Stanford Daily (TSD): O que você pode nos contar sobre seu mais novo livro, “All the Crooked Saints”?

Maggie Stiefvater (MS): É um conto pequeno e muito estranho. Acontece no sudeste de Colorado no meio de um deserto. É 1962, e há uma família miraculosa, que pode realizar apenas um milagre, e é quando chegam os peregrinos, que eles tornam a escuridão interior deles visível, concreta e tangível. Eles são sempre muito estranhos, porque são uma metáfora para o que está errado com você. Há pessoas que possuem cabeças de coiotes, há gigantes e há pessoas que tem cobras ao redor de si. Existe também, na verdade, outro milagre que tem que acontecer lá fora: os peregrinos tem de se consertar antes de irem embora. Se um santo interferir nisso, então um tabu é quebrado e a escuridão do santo irá pousar neles, e tudo será terrivelmente errado. Então, eles nunca ajudam os peregrinos e os peregrinos devem descobrir tudo sozinhos e, obviamente, essa é uma ideia terrível e tudo vai dar errado.

 

TSD: Essa história está enraizada em alguma mitologia em particular?

MS: Eu fui torturada por freiras católicas. Isso não é verdade; eu também fui criada ternamente por elas. Eu fui para uma escola católica até a sexta série, então fui criada como uma católica. Há muita espiritualidade nisso. Eu também cresci lendo muito realismo mágico, então eu gosto da ideia de sair de onde estou agora —  que é fantasia contemporânea que algumas vezes pisa nesse realismo —  para chegar em um total realismo mágico. Então, apenas pegar a mágica e criar as metáforas concretas.

 

TSD: Eu acho muito interessante que “Shiver” foi sobre pessoas desaparecidas, então há um enredo emocional ali. “A Corrida do Escorpião,” quando eu li, era sobre lar, com o que você se conecta e qual é a sua ideia de lar. Como você encontra o enredo emocional de suas histórias?

MS: Eu acho que se tento forçar muito isso, bem no começo, você acaba com um livro muito maçante. Se você sentar e falar: “Certo, ‘A Corrida de Escorpião‘ será, obviamente, sobre a batalha entre o tradicionalismo e a progressão, e sobre espiritualidade versos religião” — eu não planejei contar uma história sobre nenhuma dessas coisas. Ao invés disso, a história se tornou isso.

Parte disso é que escrever é um espelho tão inconsciente. Você começa com um enredo que não possui nenhum tema inerente ou valores. Quando você acrescenta a isso as coisas que te interessam, você descobre que não é uma autobiografia, mas claramente represente o que você está pensando naquele momento. Com “A Saga dos Corvos” , eu estava olhando propriedades no Shenandoah Valley. Eu era uma pirralha da marinha, então eu me mudava para todo lugar. Eu vivi em 18 lugares antes de fazer 18 anos. Eu nasci em Shenandoah Valley na Virginia e amei, então percebi que eu seria triste vivendo em qualquer outro lugar. Como uma adulta, continuei visitando o local e pensei que poderia apenas me mudar para lá. Não há ninguém me dizendo que não posso fazer isso. Eu sou crescida e realmente tenho um dólar agora. Eu posso comprar uma casa e viver aqui.

O ponto é que você consegue ver isso em “Os Garotos Corvos” tão fortemente. É o primeiro lugar que, qualquer um dos personagens, se sente em casa. Eles estão como: “Oh, sim! Eu estou crescido! Posso estar em casa aqui!” Isso não era uma coisa que eu pensava que seria um dos temas dessa saga, mas se tornou, abrangentemente, um deles.

Isso é o que casa é; aqui é onde você se sente em casa, mas também família e encontrar sua família é encontrar sua casa. Eu acho que tem que acontecer de forma orgânica, ao menos para mim, porque, de outra forma, se torna em um momento didático.

 

TSD: Você tem alguma ideia para adolescentes que não sabem o que querem fazer?

MS: Eu não sei se sou a melhor pessoa para responder isso, por duas razões. Para começar, eu sempre soube o que queria fazer, desde que era muito pequena. Eu era uma criança pequena, excêntrica e terrível. Não tinha vida social. Eu não abraçava outras pessoas. Eu falava como o Batman. Sempre me vestia em preto e sempre soube que queria ser uma escritora comercial. Eu até mesmo sabia que tipo de escritora eu queria ser. Era importante para mim que eu seria uma contadora de histórias e que outras pessoas iriam ouvir o que eu tinha para dizer. Então, esse sentimento de não saber o que você precisa fazer é estranho para mim. O que eu não sabia é como eu deveria fazer isso.

Se você quer conselhos meus sobre isso — se você tem algum tipo de ideia, siga isso. As pessoas que seguem em frente são as pessoas que apenas escolhem alguma coisa, porque então você tem a cabeça e os ombros, e daí constrói o resto. Logo que você fazer uma decisão, pode sempre escolher depois, se perceber que era algo ruim, e fazer outra decisão. Você estará na frente da pessoa que para e fica: “Não tenho ideia”.

Também, siga outras pessoas que tiveram sucesso. Não reinvente a roda, que foi o que eu fiz primeiro. Outra razão do motivo que sou uma péssima pessoa para perguntar isso é que eu odiei a faculdade. Tentei desistir diversas vezes. Meus pais me subornaram para continuar. De qualquer forma, eu acabei não a utilizando. Por isso eu sou um tipo de “anti-faculdade”, então não, não me escutem. Fiquem na escola, crianças! Tenho certeza que é ótimo. Tenho certeza que é fantástico.

Na verdade, eu não escrevi nada durante a faculdade. Eu fazia faculdade de História, então eu escrevi para isso. Nós costumávamos escrever artigos de cem páginas para isso. O que foi muito útil porque tivemos que escrever com um prazo de doze semanas, o que é basicamente o meu trabalho agora. Você também aprende a pesquisar um monte. O mais importante, me deu uma base de conhecimento enorme de histórias para contar, então eu falo para as pessoas que: se você quer ser um escritor, pensem muito bem se você quer se graduar em algo diretamente relacionado a escrita ou se você quer ser um graduando em Biologia e ter algo para escrever sobre. Independentemente, você irá encontrar o seu caminho para uma educação de escritor.

 

TSD: Você tem algum outro conselho para escritores aspirantes?

MS: Você deveria saber que eu realmente amo falar para outras pessoas como viver suas vidas, então é difícil restringir. Eu diria que a coisa mais importante é que pessoas que tomam decisões saem na frente, e isso também é verdade no mundo da escrita. As pessoas que conseguem não são aquelas excepcionais. Deveria ser por serem excepcionais, mas são aquelas boas o suficiente para não desistirem. Não importa o que aconteça em frente a eles, eles apenas seguem em frente. Mesmo que seja um fracasso que seja por causa de outra pessoa, que isso nunca demore. Eles fazem o que podem para seguir em frente. Ao invés de se focarem em ser excepcionais, focam em serem corajosos. Esse seria o meu maior conselho.

 

TSD: Há mais alguma coisa que você gostaria de deixar o seu leitor sabendo?

MS: A vida é muito curta para terminar de ler livros que você não gosta. Não importa se são bons ou ruins. Você pode deixá-los de lado; te dou total permissão. Dê a eles 20 páginas. Isso é uma coisa boa, e se não for, deixe de lado. Encontre outro. Ame a vida.


Fonte: (x)
Tradução e adaptação: The Raven Cycle Brasil, dê créditos – plágio é crime.

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